Esta atividade laboratorial realizou-se com o objetivo de distinguir e observar ao microscópio os vários tipos de leucócitos, assim com os restantes constituintes sanguíneos.

     O sangue é um líquido que está presente em quase todos os animais, cuja importância é extrema, pois sem ele era impossível fazer a comunicação entre todas as células e o exterior do corpo. Um ser humano adulto possui cerca de 5 litros de sangue.

     Ao fazermos uma análise ao sangue podemos encontrar diversas estruturas, como as plaquetas sanguíneas, as hemácias e os leucócitos, que se movimentam no plasma, como é possível visualizar no vídeo abaixo apresentado. Estes constituintes do sangue são produzidos na medula óssea, a partir de células estaminais, tendo de passar por várias fases até chegarem às estruturas finais.

Plaquetas Sanguíneas ou Trombócito

     As plaquetas sanguíneas (fig.1) não apresentam núcleo e têm a função de fazer a coagulação do sangue. Resultam da fragmentação de megacariócitos. Passados 10 dias, os trombócitos são destruídos pelo Baço.

Figura 1 - Plaquetas Sanguíneas

Glóbulos Vermelhos ou Hemácias ou Eritrócitos

     As hemácias (fig.2) têm a função de transportar o oxigénio dos pulmões até às células e o dióxido de carbono das células até aos pulmões através da intervenção da hemoglobina. Estas células também não apresentam núcleo e têm uma duração de cerca de 120 dias.

     Os glóbulos vermelhos têm também no seu interior açúcares e substâncias minerais que servem de “combustível”.

Figura 2 - Hemácias

Plasma

     O plasma (fig.3) é constituído por cerca de 90% de água, sendo o restante volume ocupado pelos elementos constituintes do sangue, nutrientes, substâncias minerais, vitaminas, hormonas, resíduos do metabolismo, entre outros. Serve com meio de comunicação entre as células do nosso organismo e como forma de eliminar substâncias indesejáveis.

Figura 3 - Plasma

Glóbulos Brancos ou Leucócitos

     Estas células têm a função de:

  • defender o organismo contra microorganismos, como por exemplo as bactérias, ou substâncias químicas, como as toxinas;
  • eliminar células envelhecidas;
  • reconhecer e destruir células cancerosas.

     A forma mais comum dos glóbulos brancos atuarem é através da fagocitose. A fagocitose consiste na ingestão de micro-organismos, por exemplo. Este processo ocorre em 4 fases, como é possível verificar a partir do vídeo abaixo apresentado.

     A primeira fase a ser realizada é a adesão. Nesta fase, há a interação da membrana com o corpo estranho. Em seguida, há a formação dos pseudópodes (prolongação do citoplasma) em torno do corpo estranho e que irá originar o fagossoma (vesícula com o corpo estranho no seu interior). Esta fase tem o nome de ingestão. De seguida, vem a fase de digestão, em que o lisossoma primário (contém enzimas) funde-se com o fagossoma, originando o fagolisossoma, onde é feita, por exemplo, a digestão das bactérias. E, finalmente, o conteúdo do fagolisossoma é libertado por exocitose, fase da exocitose.

     São produzidos vários tipos de glóbulos brancos (fig. 4) que apesar terem uma função em comum, fazem, cada um, tarefas específicas.

Figura 4 - Tipos de Leucócitos

Leucócitos Granulócitos

     Os leucócitos granulócitos têm no seu citoplasma grânulos (estruturas esféricas) que contêm no seu interior enzimas que ajudam na fagocitose (lisossomas).

     A nomenclatura destes glóbulos brancos é feita com base na reação dos grânulos com os corantes. Assim, os eosinófilos, também chamados de acidófilos, coram por corantes ácidos, como a eosina (cora células acidófilas). Os basófilos coram por corantes básicos, e os neutrófilos por corantes neutros.

  • Eosinófilos

Figura 5 - Eosinófilo

     Os eosinófilos (fig.5) são células que apresentam o núcleo binucleado. Estes leucócitos estão ativos no combate contra parasitas e algumas infeções. Os eosinófilos em conjunto com os mastócitos estão envolvidos em mecanismo de controlo da asma e de alergias. Estes leucócitos realizam fagocitose, mas de forma mais lenta.

     Os grânulos existentes no seu interior contêm mediadores químicos, como a peroxidase de eosinófilo, que são libertadas num processo de degranulação, destruindo micro-organismos.

     Os eosinófilos produzem substâncias químicas que neutralizam a histamina, reduzindo, deste modo, a resposta inflamatória.

     Estas células apresentam grande afinidade com substâncias ácidas, de forma que o corante utilizado na sua coloração é a eosina (vermelho).

     Estas células são bastantes importantes para a nossa defesa, mas caso se encontrem acima ou abaixo dos valores indicados, pode ser indício de que algo não está bem. Na tabela 1 estão apresentadas alguns exemplos de doenças ou fatores que podem estar na origem dessa anomalia.

Tabela 1 - Anomalias relacionadas com valores anomais de eosinófilos no sangue

  • Neutrófilos

 

     Os neutrófilos (fig.6) são células que apresentam um núcleo polilobado, ou seja, com mais do que 3 lóbulos, embora os mais comuns sejam os que possuem núcleo trilobado. São os primeiros leucócitos a chegar às áreas de infeção, constituindo deste modo a primeira linha de defesa, após a barreira da pele, dos pelos ou do suor, por exemplo. Estes glóbulos brancos são fagocitários, ou seja, realizam fagocitose.

     Estas células, no momento de infeção, são atraídas pela quimiotaxia, ou seja, pelas substâncias emitidas por células infetadas. Geralmente trabalham em conjunto com os macrófagos.

     Os neutrófilos apresentam afinidade com substâncias neutras.

     Na tabela 2 encontram-se algumas doenças que provocam desordens nos níveis de neutrófilos no sangue.

Tabela 2 - Anomalias relacionadas com valores anomais de neutrófilos no sangue

  • Basófilos

     Os basófilos (fig.7) são leucócitos cujos núcleos são volumosos, retrocidos e irregulares. Por vezes, até pode assemelhar-se a um “s”.

     Estes glóbulos brancos atuam em dois processos:

  • libertação de histamina;

     Os basófilos ao chegarem ao local da infeção libertam a histamina, que irá provocar vasodilatação, facilitando da diapedese dos leucócitos.

  • síntese e libertação dos produtos da cascata do ácido araquidónio (presente nas membranas celulares).

     Na tabela 3 pode encontrar-se algumas das doenças que causam distúrbios nos valores normais de basófilos no sangue.

Tabela 3 - Anomalias relacionadas com valores anomais de basófilos no sangue

Leucócitos Agranulócitos

Os leucócitos agranulócitos não apresentam grânulos no citoplasma.

  • Linfócitos

Figura 8 - Linfócitos

     Os linfócitos (fig.8) são células que possuem um núcleo esférico que ocupa quase toda a célula. Ao contrário dos leucócitos anteriormente referidos, estes não fazem fagocitose. Têm uma duração de anos ou, por vezes, décadas. Os linfócitos podem ser de três tipos: linfócitos B, linfócitos T ou células NK (Natural Killer), ficando responsáveis por funções especificas no organismo.

  • Linfócitos B

     Os linfócitos B amadurecem na medula óssea e são responsáveis pela produção de anticorpos. Perante um corpo estranho, estas células proliferam e diferenciam-se em plasmócitos, cuja função será a de produzir anticorpos (moléculas glicoproteicas) para degradar os antigénios. Os linfócitos B  também diferenciam-se em células de memória. Estas células permanecem inativas no nosso organismo, sendo apenas ativadas quando necessário, ou seja, quando ficarem novamente expostas ao mesmo antigénio (corpo estranho).

  • Linfócitos T

     Os linfócitos T maturam no timo, órgão do sistema imunitário situado atrás do externo.

     Estes linfócitos são responsáveis pela destruição de células infetadas por vírus, fungos e algumas bactérias. Os linfócitos T matador (CD8) são responsáveis por reconhecer e destruir células anormais. Já os linfócitos T auxiliador (CD4) recebem informações dos macrófagos e, com base nelas, estimulam os linfócitos B e T (CD8) para atacarem os corpos estranhos. Caso os CD4 deixarem de funcionar os restantes linfócitos deixarão de ser estimulados, deixando o organismo exposto a doenças.

  • Células Natural Killer

     Estas células são, ao contrário dos restantes linfócitos, células granulócitas e, como tal, realizam fagocitose.

     As células NK têm como principal objetivo detetar e destruir células tumorais e alguns micróbios. Estes linfócitos libertam enzimas para o interior das células afetadas, levando-as à apoptose celular, impedindo que se multipliquem.

     O reconhecimento das células cancerosas é feito com base nos marcadores no exterior da membrana celular. Os marcadores são proteínas que serem para o reconhecimento extracelular. Se a célula apresenta um número inferior de marcadores é considerada anormal e é destruída.

     Na tabela 4 estão representas algumas doenças e anomalias que estão por detrás de valores anormais de linfócitos.

Tabela 4 - Anomalias relacionadas com valores anomais de linfócitos no sangue

  • Monócitos

Figura 9 - Monócito

     Os monócitos apresentam um núcleo com uma forma semelhante a um rim ou a uma ferradura. Têm a capacidade de migrar para os tecidos, por diapedese, e diferenciam-se em macrófagos. Os macrófagos são células fagocitárias de grandes dimensões que conseguem fagocitar dezenas de células através da emissão de filamentos de citoplasma.

Tabela 5 - Anomalias relacionadas com valores anomais de monócitos no sangue

     O excesso ou a falta de leucócitos que estão referidos nas tabelas anteriormente postadas têm como valores de referência os valores da tabela 6, abaixo apresentada. Nesta tabela estão representadas tanto a percentagem como a quantidade de leucócitos existente no sangue, em microlitros (1 microlitros corresponde a 0,000001 litros)

     Há que ter em conta que nem sempre que os valores de leucócitos estão elevados significa que se tem uma doença grave, como algumas doenças acima referidas. Pode apenas quer dizer que no nosso organismo existe uma infeção não muito grave.

Tabela 6 - Leucograma

     Todos os leucócitos à excepção dos linfócitos pertencem ao mecanismo de defesa não específico, ou seja, um mecanismo que actua da mesma forma para todos os tipos de antigénios. Os linfócitos pertencem ao mecanismo de defesa especifico, querendo isto dizer que estes actuam de forma diferente perante diferente antigénios.

Material

  • 1 lanceta;
  • 2 lâminas;
  • 1 lamela;
  • 1 conta-gotas;
  • 2 gobelés;
  • 1 recipiente;
  • Eosina;
  • Hematoxilina;
  • Álcool Etílico 100%;
  • DPX;
  • Microscópio.

Metodologia

  1. Efetuar uma picada num dos dedos;
  2. Colocar umas gotas de sangue na lâmina;
  3. Com outra lâmina, espalhar o sangue, fazendo um ângulo de 45º entre as duas lâminas;
  4. Introduzir a lâmina num recipiente com álcool etílico absoluto por 3-5 minutos;
  5. Colocar a lâmina num copo de precipitação com eosina e agitá-la durante 1 minuto;
  6. Colocar a lâmina num copo de precipitação com hematoxilina  e agitá-la durante 1 minuto;
  7. Lavar a lâmina em água corrente e deixar secar;
  8. Colocar algumas gotas de DPX e colocar a lamela.

Resultados

Figura 10 - Linfócito (Ampliação 400x)

Figura 11 - Neutrófilo (Ampliação 400x)

Figura 12 - Eosinófilo (Ampliação 400x)

Figura 13 - Monócito (Ampliação 400x)

Figura 14 - Hemácias (Ampliação 400x)

Discussão

     As figuras de 10 a 13 representam fotografias tiradas em microscópio de leucócitos. Na figura 10 podemos ver um linfócito, uma vez que o núcleo é redondo e ocupa praticamente toda a célula. Na figura que segue podemos encontrar um neutrófilo, pois o núcleo apresenta 4 lóbulos todos ligados entre si. Na 12ª imagem está presente um eosinófilo devido à existência de 2 lóbulos no núcleo. Na imagem 13 podemos encontrar um monócito, devido ao facto do seu núcleo ser em forma de ferradura.

     Na figura 14 pode-se encontrar hemácias, porque são redondas e achatadas no centro. Podemos conprovar este facto pois a parte central das hemácias são mais claras.

     Outro aspeto que é possível referir é que todos os espaços intercelulares, em qualquer imagem, corresponde ao plasma.

Conclusão

     Nesta atividade laboratorial o objetivo foi, como já tinha sido referido, o de observar os diversos constituintes do sangue, principalmente o de distinguir os diferentes leucócitos. Apesar de não termos conseguido encontrar os basófilos e os eosinófilos, pode-se dizer que o objetivo foi cumprido, uma vez que tivemos a possibilidade de observá-los nas preparações dos restantes grupos. Estas dificuldades deveram-se principalmente ao facto de estes leucócitos existirem em poucas quantidades no sangue.

     Também tivemos algumas dificuldades em observar os núcleos devido a estes não estarem bem visíveis. Deste modo, tornou-se um pouco mais difícil fazer a distinção tendo por base as informações acima descritas na introdução. Os leucócitos mais abundantes na nossa preparação foram os neutrófilos, o que já seria de esperar porque são os glóbulos brancos que existem em maior abundância.

     Com esta atividade também verificámos que os leucócitos, em geral, são maiores que as hemácias e, que estas, ao contrário das restantes células, não têm núcleo.

     Através da realização desta experiência também foi-nos possível verificar que através da quantidade de leucócitos podemos concluir acerca do estado de saúde de um indivíduo e que o sistema imunitário não é tão simples como parece ser.

Bibliografia

Autores: Carlos, Carolina, Catarina e Cláudia.

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